Informação foi dada pelo próprio delegado, Sandro Régis, e confirmada em depoimento por homem preso junto com o ortopedista, que também teria delatado outras três mortes


O médico ortopedista Wilson Edino de Freitas Jales, 45 anos, preso nesta quarta-feira (9) como suspeito de assassinar a agricultora Francisca Alves Silva Oliveira, 68 anos; teria encomendado a morte do delegado de Patu, Sandro Régis. A informação foi passada pelo próprio delegado na tarde desta quarta-feira (9) e sido confirmada em depoimento dado por Leonardo Rodrigues do Nascimento, 23 anos, um dos três homens presos com o médico logo após a morte da agricultora.
De acordo com Sandro Régis, o ortopedista foi preso por porte ilegal de arma em 2014. “Desde essa prisão ele ficou me jurando. Não pessoalmente”, explicou o delegado.
Há cerca de três meses, de acordo com informações da polícia, um pistoleiro foi a Patu para matar Sandro Régis. Nesse dia, o delegado não estava na cidade. Mas ligações feitas anonimamente informaram à polícia sobre a presença do homem e sua intenção. Os policiais chegaram a perseguir o suspeito, mas ele conseguiu fugir. Semanas depois, esse mesmo homem apareceu morto na cidade de Areia Branca, a 170 quilômetros de Patu.
Nesta quarta-feira, após a prisão do médico e dos outros três homens que estavam com ele, a história foi confirmada. Leonardo Rodrigues contou, em depoimento ao delegado, que o suposto pistoleiro chamava-se Davi e realmente teria sido contratado para matá-lo. Como não conseguiu, acabou morto. De acordo com a testemunha, a mando do ortopedista Wilson Edino de Freitas Jales.
Também em depoimento, Leonardo Rodrigues afirmou que o médico seria o mandante da morte de sua ex-esposa, Rita de Cássia Medeiros de Souza. Ela foi assassinada em fevereiro de 2015. E também de outros dois assassinatos, ambos em 2017.
As vítimas seriam o motorista de ambulância Adolfo Maia, morto em outubro passado; e o agricultor Rawlinsin Rousseau Monteiro Carlos Godeiro, assassinado em julho. De acordo com o delegado da cidade, os dois foram amigos de Wilson Edino, mas tiveram desavenças com ele e passaram a ser jurados de morte.
“A partir de agora vão surgir muitas coisas”, afirma delegado
Os outros dois homens detidos nesta quarta-feira com o ortopedista são Israel Franco de Oliveira, 33 anos; e Júlio Ricardo Neto, 26 anos. O delegado esclareceu que o médico é apontado como suspeito de ser o autor somente no caso da morte da agricultora. Em todos os outros, ele está sob suspeita de ser o mandante. As armas apreendidas com os quatro foram enviadas para a perícia, com o objetivo de verificar também se foram usadas em outros crimes. “A partir de agora vão surgir muitas coisas”, disse o delegado.
No Itep de Mossoró, o jornalista Vilsemar Araújo conversou com uma vizinha da agricultora, que pediu para não ser identificada por medo. Ela contou que “Dona Chica”, como era conhecida a vítima, fazia essa caminhada todos os dias pela manhã, sempre acompanhada do marido, Raimundo Nonato Oliveira, 70 anos. Os dois tiveram quatro filhos.
Nesta quarta-feira, já no retorno para casa, o casal foi vítima desse ataque, que acabou resultando na morte de “Dona Chica”, atingida na cabeça por tiros supostamente disparados pelo médico Wilson Edino.