Bombeiros potiguares se preparam para ajudar vítimas em Brumadinho. Foto: Divulgação
Bombeiros potiguares se preparam para ajudar vítimas em Brumadinho. Foto: Divulgação
“Não sei se sinto prazer em ajudar ou decepção pelo cenário. Não sei explicar.  Só sei que o fato de estar aqui, exercendo minha profissão colocando em prática o que aprendi, é uma honra e ao mesmo tempo uma tristeza”, assim o instrutor de sobrevivência do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte, Klebecito Wender Bezerra, tentou traduzir o sentimento de encontrar a devastada Brumadinho, em Minas Gerais.
O natalense de 44 anos faz parte do grupo de oito bombeiros civis que decidiu por conta própria pegar a estrada, na última quinta-feira (31), e percorrer cerca de 2,4 mil quilômetros em missão humanitária para ajudar as vítimas do desastre de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Após quatro dias de viagem, os voluntários chegaram ao local da tragédia na tarde de segunda-feira (4) e se juntaram às demais equipes de resgate.

Bombeiros potiguares se preparam para ajudar vítimas em Brumadinho. Foto: Divulgação
Equipe no apoio às busca por desaparecidos. Foto: Divulgação
Desde então, os bombeiros potiguares prestam ajuda de diferentes formas, seja nas visitas às famílias para entrega de alimentos e kits de higiene pessoal, vistoria das residências para apontar riscos de desabamento ou até mesmo em resgates nas chamadas “áreas quentes”, região devastada pela lama. A expectativa é de que o grupo fique de sete a dez dias no município. Antes de ir a campo eles passaram por uma triagem onde foram selecionados para atividades conforme habilidades e conhecimentos de cada um.
Nas visitas às famílias que tiveram as casas afetadas pelo tsunami de lama, Klebecito Wender Bezerra diz ter presenciado pela primeira vez em sua carreira profissional um “choro sem lágrimas”, tamanha era a tristeza no semblante de uma das vítimas por ele socorrida.
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Klebecito Bezerra relata o drama de uma das famílias atingidas pelo rompimento da barragem
 
Neste fim de semana, o grupo de oito homens recebeu ainda o apoio de mais quatro militares que saíram de solo potiguar: os policiais militares capitão Djalma Romualdo Brito Galvão e sargento Flávio Henrique de Mendonça que atuam pelo ar em um helicóptero da Força Nacional de Segurança Pública, além dos bombeiros subtenente Marcos Antônio dos Santos Ribeiro e cabo André Ribeiro Dantas, escalados para ajudar nas buscas pela terra.
Policiais Militares do RN ajudam vítimas em helicóptero da Força Nacional. Foto: Divulgação
Policiais Militares do RN ajudam vítimas em helicóptero da Força Nacional. Foto: Divulgação
A rotina dos profissionais que atuam na área destruída pelo rompimento da barragem da mineradora Vale começa às 4h30 no horário local (3h30 no horário de Natal). Por volta das 6h, as equipes de resgate se reúnem em pontos de apoio de onde partem para as missões de salvamento, bem como localização de corpos, e seguem até as 18h, quando retornam aos alojamentos para descansar.
Missão humanitária inclui ainda poda de árvores para evitar novos danos. Foto: Divulgação
Missão humanitária inclui ainda poda de árvores para evitar novos danos. Foto: Divulgação
Os potiguares também participam do acompanhamento psicológico das vítimas. “Nós atendemos uma certa família e a mãe de uma menina de apenas três anos de idade nos relatou que não sabe responder as perguntas que a filha faz sobre a tragédia. A mulher então nos procurou e nós disponibilizamos ajuda psicológica”, complementou o instrutor Klebecito Wender Bezerra.
Há dois dias em solo mineiro, os bombeiros civis voluntários que arcaram com todas as despesas da ida a Brumadinho (cerca de R$ 6 mil), divididos em um carro de passeio e uma ambulância, não sabem como voltarão ao Rio Grande do Norte. Para eles, a preocupação com a viagem da volta parece insignificante diante da tragédia e do drama das famílias que perderam tudo que tinham. O grupo espera contar com doações da população para conseguir o combustível para retornar às terras potiguares.
Equipe saiu do RN em 31 de janeiro em dois veículos. Foto: Divulgação
Equipe saiu do RN em 31 de janeiro em dois veículos. Foto: Divulgação
O rompimento de uma das barragens de rejeitos de minério da Vale ocorreu em 25 de janeiro. O número de mortos em decorrência do desastre chegou a 142 e 194 pessoas seguem desaparecidas, de acordo com o último levantamento da Defesa Civil de Minas Gerais divulgado nesta segunda-feira (4).

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